UFRPE recebe pesquisadores mexicanos para estreitar laços de Aquicultura internacional
Reconhecidos pelas suas expertises em Aquicultura e Biotecnologia, os professores Dr. Alberto Peña Rodriguez e Dr. Eduardo Queiroz Guzmán, do Centro de Investigaciones Marinas del Noroeste (CIBNOR), do México, encerraram sua missão no Brasil no Instituto Ipê, na manhã do dia 23 de maio, compartilhando com o Núcleo de Internacionalização (Ninter) as experiências durante visita à UFRPE, tendo em vista estreitar os laços de cooperação internacional entre as comunidades acadêmicas de ensino e pesquisa, em especial nas áreas de pesca, aquicultura e biotecnologia, com foco em sustentabilidade.

Após duas semanas de estadia e uma intensa agenda de palestras sobre suas áreas de conhecimento, reuniões com docentes, aulas técnicas em laboratórios e visitas a produtores do empresariado local, as conversas em torno da dupla de professores mexicanos trataram do desenvolvimento de projetos conjuntos, intercâmbio de estudantes e pesquisadores, e busca por novas oportunidades de financiamento para produções colaborativas.
Cooperação internacional em Pesca e Aquicultura: um histórico de sucesso
Anfitrião dos visitantes mexicanos, o Prof. Alfredo Olivera Gálvez, do Departamento de Pesca e Aquicultura (DEPAQ), destaca o histórico de grandes convênios internacionais do DEPAq firmados, há mais de uma década, com países como Estados Unidos, Canadá e França para intercâmbio de professores e alunos. Inicialmente, através de recursos do CNPq, depois ampliado pelo Programa de Internacionalização (Print) e unindo-se ao Programa de Pós-Graduação em Recursos Pesqueiros e Aquicultura (PGPA) e à Rede RenorBio, da Pós-Graduação em Biotecnologia, através do Prof. Luis Otávio da Silva e da Profa. Raquel Bezerra, respectivamente, são diversos projetos em andamento com parceiros no Peru, Itália, Espanha e, em fase de implementação, com Malásia, Argentina e México.

O potencial da cooperação com o México, país com o qual o Brasil compartilha muitas similaridades em termos de desafios e oportunidades, revela a importância da internacionalização para o desenvolvimento da pesquisa na UFRPE. “Com os países da Europa, eles manejam outro tipo de equipamento. Por exemplo, aqui nós contamos microalgas, eles colocam em um citômetro que já dá o valor. É outro mundo”, diz o professor, para quem a colaboração poderia ser mais intensa e focada, agora, com México e Argentina: “temos muitos pontos parecidos. Muitas coisas que faltam a eles nós podemos dar, e vice-versa”.

Ampliando o horizonte: redes que pescam soluções
Em 2023, a missão no México do Prof. Alfredo, pelo Print, e em 2024, o grande projeto intitulado “Alianza iberoamericana para promoción de las microalgas como ingredientes alternativos en la agroalimentación", uma rede de pesquisa envolvendo sete países (Espanha, Argentina, Chile, Peru, Colômbia, México e Brasil), submetido ao Programa Iberoamericano de Ciencia y Tecnología para el Desarrollo (CYTED) sob sua coordenação, “sempre na ótica de aquicultura e biotecnologia e com uma perspectiva de ter todas as metodologias do ponto de vista da sustentabilidade, em um amplo sentido da palavra”, diz.
Comércio social e participação dos produtores, sejam empresas ou comunidades, o professor da UFRPE revela que, trabalhando muito com comunidades de pescadores e empresas, também querem chegar à sociedade com esse viés internacional: “Eduardo, especialista em Bacteriófagos, tem dado muito suporte dentro dessa parte e vários professores têm se beneficiado com ele, utilizando as tecnologias, criando vários métodos de trabalho e perspectivas de futuros projetos nessa linha. O mesmo com Alberto, que trabalha com microalgas e aquicultura, com quem temos feito uma interação muito grande, inclusive com empresários no Nordeste”.
Ninter: um futuro promissor à vista
O Prof. Rodrigo Carmo, Diretor de Internacionalização, enfatizou o papel do Instituto Ipê e do Ninter da UFRPE na promoção e segurança de parcerias internacionais, mencionando a importância da formalização dos acordos, do desenvolvimento de estratégias conjuntas e da busca por soluções inovadoras para os desafios enfrentados pelos países da América Latina: “Entendo que existe uma perspectiva de longo prazo bastante interessante, não somente para o DEPAQ, mas que faz ver a abertura gigantesca com cooperações internacionais e que isso pode servir também, inclusive, como um modelo futuro para estreitar laços com os nossos vizinhos, sendo extremamente importante pesquisas que apresentem essa sustentabilidade para nós”.

Remando junto e compartilhando conhecimentos
Os professores mexicanos se mostraram entusiasmados com a receptividade da UFRPE e com o potencial de colaboração entre as instituições. O Prof. Alberto Peña Rodriguez destacou a abertura e o interesse dos produtores e pesquisadores em buscarem soluções colaborativas para os desafios do setor aquícola. Rodriguez ministrou a palestra "Macroalgae in the development of sustainable aquaculture" no dia 15 de maio, na Biblioteca Setorial, abordando o papel fundamental das macroalgas no desenvolvimento de sistemas de aquicultura sustentáveis e seu potencial para a produção de alimentos, biocombustíveis e outros produtos de valor agregado.
Também participou do ciclo de palestras "Novas Estratégias e Ferramentas para o Cultivo de Camarões", realizado na Escola Agrícola de Jundiá entre os dias 20 e 21 de maio, no Rio Grande do Norte. Sua apresentação "Co-cultivo de camarão e macroalgas para um consumo mais eficiente do alimento balanceado", explorou as vantagens da integração de macroalgas no cultivo de camarões, visando a otimização da utilização de recursos e a redução do impacto ambiental.
“Os produtores locais são muito abertos a mostrar tudo o que podem fazer e a perguntar o que opinamos de seus sistemas, para que eles possam implementar em suas fazendas. Isso eu creio que é muito bom. No México, são mais zelosos de seu conhecimento, o protegem muito. Aqui, têm a visão de cercarem-se dos pesquisadores para melhorarem sua produção, entendem a dinâmica de simbiose entre o produtor e o pesquisador.” O que pode ser, inclusive, uma via interessante para angariar mais recursos para a troca de informações e tecnologias.

Já o Prof. Guzmán ressaltou a paixão e o comprometimento dos estudantes, demonstrando grande interesse no intercâmbio de alunos e no desenvolvimento de projetos em parceria. Ele apresentou a palestra "A importância de desenvolver e implementar estratégias de controle biológico em sistemas de aquicultura", também no dia 15, na Biblioteca Setorial, focando no uso de métodos biológicos para o controle de pragas e doenças em sistemas de aquicultura, o que contribui para a produção de alimentos mais seguros e sustentáveis.
O Prof. Guzmán também discutiu a importância de integrar diferentes estratégias de manejo para garantir a saúde e o bem-estar dos camarões, ao mesmo tempo em que se promove a sustentabilidade da produção, na apresentação "Implementar estratégias de controle biológico em sistemas de aquicultura" no ciclo de palestras "Novas Estratégias e Ferramentas para o Cultivo de Camarões" , no Rio Grande do Norte.
“O que me surpreende, independentemente dos produtores e pesquisadores, é o compromisso dos alunos, realmente dedicados ao trabalho e à pesquisa. É gratificante ver a abertura dos alunos dispostos a receberem sugestões e a oferecerem as suas próprias ideias. É um ambiente colaborativo, com pesquisadores, alunos e empresas conectados em busca de um objetivo comum, numa sinergia que melhora a produção, beneficia a todos e resulta em avanços que impactam positivamente o país”, falou Guzmán.

Aprendizado mútuo: visões e práticas
Na presença da Pró-Reitora de Graduação, Profa. Danielli Matias, Guzmán enfatizou grande interesse no intercâmbio de estudantes, dizendo que brasileiros e mexicanos são muito parecidos na alegria e receptividade, embora culturalmente diferentes. “Na área acadêmica, percebemos que os estudantes brasileiros têm uma grande paixão pelo trabalho, algo que buscamos incentivar nos estudantes mexicanos. No México, temos muita infraestrutura tecnológica, mas queremos que os alunos se aproximem da realidade da produção. Acreditamos que o intercâmbio será enriquecedor para ambos os lados, em que brasileiros aprenderão mais sobre o manejo de equipamentos e tecnologias, enquanto os mexicanos poderão se conectar com a prática e a paixão pela aquicultura.”

Para os professores a experiência ajuda os estudantes a valorizarem e a se aprofundarem em seus trabalhos de pesquisa com mais criatividade. “Observamos que muitos alunos, ao serem enviados para o exterior, têm uma visão idealizada de que laboratórios europeus são superiores aos nossos. O pensamento colonial nos faz acreditar nisso. Ao chegarem lá, na realidade, percebem que a qualidade da pesquisa não difere muito. O importante é que os estudantes que participam desses intercâmbios compreendam que a tecnologia não é tudo, e que a paixão, a criatividade e a busca por soluções simples são fundamentais para o desenvolvimento da aquicultura.

Construindo a ponte para o futuro
Os pesquisadores acreditam que a colaboração abre um mar enorme de oportunidades para as instituições, especialmente com alunos sendo beneficiados pelos convênios e, futuramente, todos ganharão com suas continuidades. “Já temos uma base estabelecida, agora precisamos de um acordo mais específico, detalhando o que cada instituição irá contribuir. Facilitar a colaboração em pesquisas, publicações, teses, artigos e videoconferências, tornarão a interação mais dinâmica”. Por exemplo, com a aproximação, na equipe, da Profa. Raquel Bezerra, do Departamento de Morfologia e Fisiologia Animal (DMFA) da UFRPE.

A expectativa é que a parceria entre as instituições se fortaleça nos próximos anos, gerando resultados positivos para os países envolvidos. A viagem dos professores Alberto Peña Rodriguez e Eduardo Queiroz Guzmán ao Brasil representa um passo rumo a consolidar a colaboração internacional como referência em pesquisa e inovação no setor aquícola, visando avanços científicos e tecnológicos e contribuindo para o desenvolvimento sustentável da aquicultura no Brasil e no México.
Links:
Palestra La acuicultura en Brasil y Mexico:
Laboratórios de Produção de Alimento Vivo (LAPAVI) e de Maricultura Sustentável (LAMARSU): https://www.instagram.com/lapavi_lamarsu
Centro de Investigaciones Marinas del Noroeste (CIBNOR): https://www.cibnor.gob.mx/
Programa de Pós-Graduação em Pesca e Aquicultura: https://ww2.pgpa.ufrpe.br/
Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia (Rede RenorBio): https://www.renorbio.ufrpe.br/
Programa Iberoamericano de Ciencia y Tecnología para el Desarrollo (CYTED):
https://www.cyted.org/
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